PC prende 16 dezesseis pessoas envolvidas com o tráfico de drogas, roubo e tortura

A Polícia Civil de Minas Gerais, através da Agência de Inteligência Policial da 2ª Delegacia Regional de Polícia Civil de Capelinha desencadeou, nesta quarta-feira (28/04), a operação Êxodo nas cidades de Capelinha, Angelândia e zona rural de Água Boa, com ênfase no distrito de Palmeiras de Resplendor.

Durante as diligências, foram cumpridos mandados de busca e apreensão e 16 pessoas foram presas preventivamente. A operação contou com o apoio das Delegacias de Capelinha, Turmalina, Água Boa, Minas Novas, Berilo, Itamarandiba, Regional de Diamantina, Serro, Gouveia, Santa Maria do Suaçuí, Regional de Guanhães, Nova Serrana, Canil e Apoio Aerotático, totalizando 78 policiais empenhados.

Dessa maneira, a operação recebeu o nome de “Êxodo” em referências às informações colhidas durante as investigações, que demonstraram que a Organização Criminosa (ORCRIM), teria sua base fixada na localidade de Palmeiras de Resplendor, todavia, seus integrantes manteriam constantes migrações para aquisições de carregamentos de drogas e distribuições para pontos de tráficos naquele local e em cidades vizinhas.

Igualmente, foram detectadas movimentações dos investigados para regiões próximas à sede da ORCRIM, com o intuito de praticar crimes violentos, como por exemplo, tortura e roubo. Fato que levou hoje, as diligências se voltarem sobretudo quanto as prisões dos autores, a fim de evitar tais violências. Nesse cenário, também foram identificadas as migrações de usuários de drogas de cidades vizinhas com deslocamento para Palmeiras de Resplendor, com o objetivo de aquisições de drogas ilícitas, valendo-se daquele local como via de escape, exigindo assim, constantes diligências da Polícia Civil até aquela localidade, visando apurar crimes correlatos aos fatos narrados.

Portanto, as investigações que duraram cerca de um ano e sete meses, se iniciaram a partir do momento em que foi detectado pela Agência de Inteligência Policial, o crescente número de ocorrências de tráfico de drogas, furtos, roubos e crimes relacionados a armas de fogos em Capelinha/MG e região, sendo que, em análise minuciosa, foram detectadas que as ações delituosas eram consumadas de forma organizada por pessoas com funções estabelecidas e com o núcleo situado na localidade de Palmeiras de Resplendor.

Desse modo, a partir de técnicas investigativas, foi possível apurar autoria e individualizar condutas em crimes de tráfico de drogas, roubo, tortura, crime ambiental, posse/porte ilegal e disparos de armas de fogo, comércio ilegal de armas de fogo e receptação de veículos de origens ilícitas. Assim, nesse cenário, podemos destacar dois crimes que foram praticados com emprego de grande violência por parte dos investigados e que tiveram grande repercussão.

Diante disso, os integrantes da ORCRIM, ao longo das investigações, demonstraram o uso de muita violência na consumação de seus crimes e em represálias à população local, para impedir qualquer tipo de denúncia junto aos órgãos de Segurança Pública. Logo, através das informações colhidas durante as investigações, ficou demonstrado, que no crime de tortura, a vítima teria se apropriado de grande quantidade de maconha de propriedade da Organização Criminosa, que se encontrava enterrada às margens de uma estrada na zona rural.

Ao tomar conhecimento do fato, o líder do grupo determinou que três subordinados torturassem a vítima até que a droga fosse recuperada ou o prejuízo fosse ressarcido. Por isso, a vítima foi retirada de sua residência por três indivíduos, mantida sob ameaça e cárcere privado, na mira de arma de fogo, na companhia dos três indivíduos em um veículo, enquanto era torturada.

Os suspeitos amarraram as mãos da vítima que se encontrava no interior do carro, sob a mira de um revólver, totalmente coberta de sangue, enquanto um vídeo era gravado, possivelmente, como forma de divulgar a atuação da ORCRIM, pois, durante a gravação foi exposto por um dos autores que aqueles suspeitos faziam aquilo com ladrões de “mocó”, fazendo alusão a drogas que são escondidas em buracos em locais ermos para não serem apreendidas pela polícia.

Ressalta-se que ficou apurado que o líder do grupo, teria acompanhado toda a ação delituosa à distância, conduzindo uma motocicleta, visando auditar a atuação de seus subordinados, no entanto, sem vincular diretamente seu nome aos fatos em tela. Além disso, podemos destacar outro crime de repercussão, relacionado ao roubo em uma fazenda, onde um integrante da ORCRIM, teria cedido a sua motocicleta para outros dois integrantes (sendo um deles ainda menor de idade), para que estes deslocassem ao local dos fatos e ali consumassem o crime, além de que, pelo que parece, teria auxiliado seus pares durante a fuga.

Portanto, os investigados, aparentemente, estariam interessados em subtrair dinheiro em espécie e armas de fogo, que por ventura estivessem no local. Assim, os dois autores que deslocaram à fazenda renderam as vítimas já em período noturno, utilizando arma de fogo, sendo que, ainda portavam um galão com gasolina que foi utilizada para ameaçar as pessoas que se encontravam no local.

Segundo apurado, os autores ficaram agressivos e ameaçaram atear fogo na filha do encarregado da fazenda, enquanto manuseavam a gasolina, tendo em vista que, não localizaram as armas de fogo almejadas. Apesar disso, vários objetos foram subtraídos da casa do encarregado e da sede da fazenda.

Em tempos, diante os elementos colhidos durante as investigações a Autoridade Policial, representou pela expedição de mandados de prisão e de busca e apreensão, após brilhante trabalho investigativo da AIP, em face dos investigados que foram deferidos pelo Poder Judiciário, com excelente análise do Ministério Público, ambos de nossa Cidade.

Em vista disso, na data de hoje, foram cumpridos 18 mandados de prisão preventiva, ocasião em que 16 pessoas foram presas. Ressalta-se que dois dos investigados figuravam como suspeitos em mais de um crime apurado, ocasião em que foram expedidos 02 mandados de prisão preventiva contra eles.

Durante as diligências foram presos 04 homens (20, 26, 28 e 34 anos) em Palmeiras de Resplendor, zona rural de Capelinha, 03 homens (24, 24 e 26 anos) e 01 mulher (30 anos) na cidade de Angelândia, 03 homens (19, 21 e 22 anos) em Capelinha, 01 homem (42 anos) na zona rural de Água Boa, 01 homem (26 anos) e 01 mulher (26 anos) em Nova Serrana e outros 02 homens (23 e 44 anos) que já se encontravam no sistema prisional.

Os suspeitos presos foram encaminhados à Autoridade Policial e após as formalizações de suas prisões, eles serão encaminhados ao sistema prisional, onde permanecerão à disposição da Justiça.

A Polícia Civil reafirma a importância da participação do cidadão na construção de uma sociedade menos violenta, ao fornecer informações importantes, para desvendar crimes e reduzir as taxas de criminalidade, bem como, reafirma o seu compromisso em atuar ativamente para trazer a sensação de segurança para todos.

Informações e fotos: Polícia Civil de Minas Gerais