Homem de Sardoá procura por 3 irmãos desaparecidos

Na tarde de quarta-feira, 27/12/2017, recebemos em nosso WhatsApp (33 99139-9105) a história de Matozinho Pinto de Souza, morador de Sardoá, que está a procura de três de seus irmãos, os quais ele não vê há aproximadamente 50 anos.

Entramos em contato com o Jefferson Martins, filho de Matozinho, e ele confirmou a veracidade da história que está sendo compartilhada pelas redes sociais. Ele solicita que a história seja compartilhada, a fim de encontrar os seus tios.

Eis o texto, na íntegra, conforme recebemos:

“Meu nome é Matozinho Pinto de Souza. Moro atualmente em Sardoá, MG, uma cidadezinha próxima à Governador Valadares. Gostaria de compartilhar a minha história na esperança de reencontrar meus cinco irmãos que estão desaparecidos á aproximadamente 50 anos.

Tudo começou quando minha mãe foi acometida com uma doença que resultou na perda da sua memória. Com todas a dificuldades que essa doença trouxe, meu pai a abandonou com sete filhos pequenos , numa praça em Valadares. Nessa situação tão degradante, eu não me lembro muito bem como tudo aconteceu, afinal eu era uma criança de apenas 6 anos de idade, mas sei que todos sumiram e minha mãe foi internada contra a sua vontade em um hospital para doentes mentais. Restaram apenas eu e um irmão, que tinha aproximadamente a mesma idade que eu, e juntos moramos por muito tempo nessa praça onde dormimos ao ar livre, comíamos restos de comida e pedíamos esmolas para sobreviver.

Muito tempo depois, uma pessoa conhecida dos meus pais nos encontrou e nos levou para morar na sua casa, no pico da Ibituruna local hoje conhecido como o cartão postal da cidade, e lá, devido a pobreza, esse conhecido que nos resgatou não teve condições de nos sustentar e de continuar cuidado da gente.  A partir disso, fomos pra uma fazenda próxima e nos tornamos escravos. Mesmo crianças, o serviço era muito pesado e como recompensa a gente ganhava apenas um prato de comida por dia. Não fazíamos ideia da data do nosso aniversário, tampouco a nossa idade real, isso não era importante para o trabalho que tínhamos que fazer lá, e escravo não precisava comemorar o dia em que nasceu.

Por volta dos meus 16 anos, minha mãe saiu do manicômio, e após muitas perguntas, procuras e buscas sem fim, ela conseguiu nos encontrar na fazenda dos escravos. Tudo era muito duro e difícil, mas pelo menos estávamos juntos novamente. Dada a situação, nós três nos abrigamos em uma pequena casinha de sapé, e entre o trabalho na fazenda e a hora de dormir, colhíamos palmito na mata pra vender na feira no intuito de nos alimentarmos melhor, mesmo que esse melhor resultasse em pelanca de animais, algumas gramas de arroz e inhame que eram destinados aos porcos.

Vivemos assim por um tempo, e confesso que mesmo estando junto com a minha mãe e com o meu irmão, a tristeza de estar naquele lugar e naquela situação me angustiava todos os dias. Pra minha surpresa e alegria, aos meus 17 anos, apareceu um dos meus irmãos, o mais velho. Ele havia fugido de casa antes que meu pai nos abandonasse e nos resgatou. Não pude acreditar no que estava acontecendo, os dias de escravidão tinha acabado! Meu irmão enfrentou o dono da Fazenda e nos tirou daquele lugar horrível que por muito tempo só trouxe dor e sofrimento.

Após algum tempo, estando todos nós livres, meu irmão mais velho conseguiu minha certidão de nascimento e do meu outro irmão. Pudemos então trabalhar e arrumar um cantinho pra vivermos com a nossa mãe. Fomos felizes por um bom tempo, casamos, constituímos família e continuamos cuidando da nossa mãe até a sua morte aos 85 anos em 2002. A minha mãe quando viva, chorava constantemente e clamava a falta dos filhos que um dia lhe foram tomados pelo destino. Nunca tivemos notícias do nosso pai, e não temos esperanças de encontrá-lo vivo após todos esses anos. Já os meus irmãos, ainda tenho fé de revê-los um dia.

O nome da minha mãe era GERALDA MARTINS DE SOUZA e do meu pai SEBASTIÃO PINTO SOBRINHO. Meu irmão que permaneceu comigo quando éramos criança é: CORNÉLIO PINTO DE SOUZA e o nome do meu irmão que nos encontrou e nos salvou é JOSÉ PINTO DE SOUZA. O nome dos 3 irmãos de 5 desaparecidos que tenho registro são:  JOAQUIM PINTO DE SOUZA, MARIA PINTO DE SOUZA e ANA SOBRINHO DE SOUZA. Os outros dois não encontrei o cartório onde foram registrados, mas pelo que me lembro são:  LUCIA PINTO DE SOUZA e GERÔNIMO PINTO DE SOUZA.

Por favor, compartilhe a minha história pra que ela alcance o máximo de pessoas possíveis… Gostaria muito de ver meus irmãos novamente e realizar o último sonho da minha mãe.

Caso conheça alguma das pessoas citadas que tenham alguma história semelhante, entre em contato conosco.

33 3296-1668 / 33 98739-6715 / 33 99807-7406

Email: varejista-souza@hotmail.com / j.m.souza@live.com”

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