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Aumento do nº de casos de Baleia Azul cria pânico

 

Mensagem que anunciava morte de crianças mobilizou PM e fechou escolas no interior de Minas

A suposta série de ações suicidas do desafio da Baleia Azul tem criado pânico generalizado e uma onda de boatos. Além de duas mortes suspeitas, ao menos quatro casos de jovens que se mutilaram são investigados pela Polícia Civil de Minas por sua relação com o jogo do suicídio. A escalada nos números fez aumentar a atenção dos pais e também o número de chamados na Polícia Militar. Na cidade de Ipanema, na região do Rio Doce, por exemplo, um boato de que uma das tarefas seria envenenar crianças levou pânico aos moradores e motivou os militares a reforçarem o policiamento nas escolas e a comunidade acadêmica a aumentar os cuidados.

Desde que a participação de jovens no jogo ficou conhecida, os boatos têm tomado conta das redes sociais. São listas com tarefas falsas, fotos de jovens mutilados e teorias de que crimes cometidos há meses seriam relacionados ao desafio.

Ataques em massa. Com ou sem a comprovação da ligação com o desafio, pesquisadores defendem que o jogo pode não ter pessoas reais como incentivadores e que ele pode ser, na verdade, uma lenda urbana, que se popularizou e, por consequência, serviu de inspiração para ações reais, como a criação de grupos, mortes e mutilações.

Independentemente da veracidade do esquema, especialistas dizem que é preciso avaliar o alto poder de dano revelado pelo modelo. Thiago Zaninotti, analista da Aker N-Stalker, especialista em segurança digital, afirma que é preciso cogitar inclusive que não haja um humano por trás do desafio, mas sim um robô, o chatbot: “Eles dispõem de recursos poderosos de autoaprendizado e são movidos por algoritmos de engenharia social que estão tornando-se cada vez mais corriqueiros no cibercrime”.

O especialista alega que o Baleia Azul pode estar inaugurando uma nova era dos incidentes de segurança, com ataques de engenharia social em massa que afetam de forma direta e altamente impactante o comportamento do usuário.

Lei. Diante da repercussão do desafio da Baleia Azul, o deputado federal Áureo Ribeiro (SD) apresentou nessa quarta-feira (19) um Projeto de Lei (PL) que aumenta a pena a quem induzir outro ao suicídio por meios digitais e torna crime o incentivo, pela internet, à automutilação ou à exposição ao perigo.

Mudanças. O PL 7430/2017 altera os artigos 122 e 132 do Código Penal e dobra a pena de indução ou prestação de auxílio ao suicídio, que hoje é de reclusão de dois a seis anos, caso o crime seja cometido via internet.

Repressão. Os responsáveis pelas redes sociais e pelos programas usados pelos grupos do desafio da Baleia Azul afirmaram que estão cientes do jogo, mas, de modo geral, se eximiram sobre os casos.

WhatsApp. Por meio de sua assessoria de imprensa no Brasil, o WhatsApp afirmou que não consegue mediar o conteúdo compartilhado pelos usuários. “Todas as mensagens trocadas via WhatsApp possuem criptografia de ponta a ponta. Isso significa que o aplicativo não armazena ou tem acesso às mensagens, apenas quem manda e/ou recebe é quem consegue ler o conteúdo”, afirmou.

Twitter. O serviço de microblog Twitter explicou que o usuário é responsável pelo conteúdo que publica, inclusive legalmente. “Se alguém encontrar uma pessoa em risco de autolesão ou suicídio, deve buscar assistência de autoridades locais o quanto antes”, disse.

Facebook. A maior rede social do mundo afirmou que não permite a promoção das práticas: “Proibimos conteúdos que promovem ou encorajam o suicídio ou qualquer outro tipo de autoflagelação e também removemos conteúdo que identifique ou ataque sobreviventes ou vítimas de autoflagelação ou suicídio”.

Orientações. A Polícia Civil orienta os pais a manterem proximidade com os filhos, conhecerem a rotina deles e o que eles fazem nas redes sociais e verificarem o tipo de assunto que abordam ou compartilham entre amigos. (O Tempo)