Está no Ar

Samarco é multada em R$ 1 mi por descumprimento de prazo

 

A Hidrelétrica Risoleta Neves, em Santa Cruz do Escalvado, está repleta de rejeitos da mineradora desde o rompimento, em novembro de 2015

Após não conseguir cumprir o prazo para a remoção de todo o rejeito depositado na área das comportas da Usina Hidrelétrica Risoleta Neves, mais conhecida como Candonga, em Santa Cruz do Escalvado, na Zona da Mata, a Samarco acabou penalizada pelo Comitê Interfederativo (CIF) em R$ 1 milhão e outros R$ 50 mil diários até que a limpeza seja concluída.

Marcelo Belizário, superintendente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) em Minas Gerais, explica que o órgão está coordenando a câmara técnica do CIF que, mensalmente, faz relatórios sobre as evoluções no trabalho de limpeza da usina. O trabalho está previsto no acordo firmado em março de 2016, que determinava ainda que a remoção deveria ser finalizada até dezembro do ano passado.

"O acordo previa a dragagem dos rejeitos existentes na primeira área, de 400 metros da barragem, até o dia 31 de dezembro. Em dezembro de 2015 o volume existente no local era de 550 mil m³. Entretanto, como continuou acontecendo o carreamento dos rejeitos pelo rio abaixo, na época que o acordo foi assinado o volume já estava em 1,3 milhão de m³", explicou.

Com os rejeitos ainda descendo em direção ao rio, a mineradora teria entrado em um círculo vicioso, que acabou prejudicando a dragagem. "Até o fim de 2016, a mineradora removeu mais de 600 mil m³, porém, chegaram novos 400 mil m³ de rejeitos. Em julho de 2016 a empresa solicitou uma dilação de prazo, que foi negado pelo Comitê", completou Belizário.

Ainda segundo ele, por conta dos rejeitos de minério, a Usina está paralisada, sem gerar energia, o que gera uma série de problemas. "Está perdendo energia gerada de uma fonte renovável, o que faz com que seja necessário tirar energia de outro lugar. Além disso, os municípios da região, o Estado e a União estão deixando de recolher impostos sobre essa energia", aponta o superintendente.

Samarco

Procurada a mineradora emitiu uma nota em que informa que já foram dragados até o momento 660 mil m³ de rejeitos do reservatório da usina. "O volume é maior do que era previsto para ser retirado nos primeiros 400 metros desde o barramento. Em março do ano passado, a estimativa era de que havia 550 mil metros cúbicos de rejeitos na área. A Samarco esclarece que o período chuvoso contribuiu para o aumento do carreamento de rejeitos para o local", alega.

Por fim, a Samarco afirmou que está em constante diálogo com as autoridades para executar a dragagem do reservatório no menor prazo possível. A previsão é de que a limpeza destes primeiros 400 metros seja concluída até julho de 2017.

A mineradora também afirmou ainda não foi formalmente notificada da penalidade, mas que já entrou com um recurso no Comitê Interfederativo. (O Tempo)